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Política

05/02/2019 ás 16h29 - atualizada em 05/02/2019 ás 16h49

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Zadir de Souza

ponta pora / MS

Minotauro é oitavo chefão do PCC a ir para presídio federal em 2 meses
Gestão Bolsonaro já é responsável por quase toda linha de comando da facção
Minotauro é oitavo chefão do PCC a ir para presídio federal em 2 meses
Dinheio e celulares que estavam com Minotauro em Santa Catarina - Divulgação/PF

A cúpula da Polícia Federal e até integrantes do Ministério da Justiça, sob responsabilidade do ex-juiz Sérgio Moro, decidem durante a tarde desta terça-feira (5) a transferência de Sérgio Arruda Quintiliano Neto, 33 anos, conhecido como 'Minotauro', para um presídio federal.


Segundo apurado junto a fontes da PF de Mato Grosso do Sul, que cuida da papelada de Minotauro, que a transferência deverá ser efetivada até a próxima quinta-feira (7). 


Minotauro é o oitavo homem-forte do Primeiro Comando da Capital (PCC) com ramificações com o tráfico na área de fronteiras ao oeste do Brasil a ir para um presídio agora de responsabilidade de Jair Bolsonaro (PSL) em um periodo de dois meses.


Segundo investigações da PF e da Polícia Civil de MS, Neto, que começou a carreira criminosa como ladrão de carga no interior de São Paulo, estaria ocupando o posto de líder da facção criminosa no controle do tráfico de drogas e armas nas fronteiras com Paraguai e Bolívia. O Correio publicou um perfil dele tão logo sua presença na fronteira fora identificada, em março do ano passado, quando foi acusado de matar um investigador em Ponta Porã. 


Minotauro teria sido indicado ao posto por Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, ex-ladrão de carros da zona leste de São Paulo (SP) e apontado por PF e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco-SP) como principal sócio em investimentos e propriedades no Paraguai de Marcos Willians Herbas Camacho, 51 anos, mais conhecido como Marcola e acusado de ser o principal lider do PCC.


Neto teria ascendido de vez ao primeiro posto na fronteira após a prisão de Eduardo Aparecido de Almeida, 39 anos, conhecido como 'Pisca' e preso pela polícia paraguaia na mansão onde morava em Assunção, capital do país vizinho.


Sem Minotauro e Pisca, a cúpula da segurança federal agora espera para ver como serão os paços do PCC sem sua cadeia de comando estabelecido na fronteira desde que Elton Leonel Rumich da Silva, o Galã, se auto exilou no Rio de Janeiro (RJ), onde foi preso, após ser considerado traidor por Marcola por negociar drogas e armas com facções rivais, a milícia carioca e até se envolver em negócios proibidos pela quadrilha na região, como prostíbulos.


TRANSFERÊNCIAS  


Antes da dupla de comando no Paraguai, o juiz Paulo Eduardo Sorci, da 5ª Vara das Execuções Criminais de Sao Paulo, autorizou no início de janeiro a transferência de cinco líderes do PCC acusados de integrar a cúpula da organização criminosa e emitir ordens para execução de crimes de dentro de presídios de segurança máxima de todo o País. 


O pedido foi feito pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, sob o argumento que é preciso isolar o grupo para que eles deixem de emitir ordens ao restante da quadrilha.


Os presos atuam como "sintonia de estados e países" da organização criminosa. Entre eles estão Almir Rodrigues Ferreira (Nenê da Simioni), que teria dado ordens para ataques a prédios públicos e ônibus em Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Minas Gerais; e Claudio Barbará da Silva (Barbará), apontado como responsável por ordens de tráfico de drogas e compra de armas e munições para os estados de Roraima e Ceará. Os demais são Cristiano Dias Gangi, Jose de Arimatéia Pereira de Carvalho e Reginaldo do Nascimento.


Também devem ser transferidos outros dois membros da quadrilha: Rogério Araújo Paschini e Célio Marcelo da Silva, o Bin Laden, acusado pelo sequestro da mãe do jogador Robinho, ex-Santos e Atlético-MG e atualmente na Turquia, em crime de repercussão ocorrido em 2005.


Todos estavam na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau e foram transferidos para o  Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) em junho passado, depois da Operação Echelon, que expediu 63 mandados de prisão e 55 mandados de busca e apreensão. O grupo teria assumido o comando da quadrilha após outros 14 detentos, incluindo Marcola, terem sido colocados em isolamento na penitenciária de Presidente Bernardes, em 2017.


O local onde estão os líderes do PCC é tratado com sigilo e a PF não revela qual a cidade para onde foram transferidos.


A atual gestão estadual de São Paulo de João Dória (PSDB) deverá formalizar até março com Moro a transferência de Marcola, fato que deixou as autoridades em alerta contra tentatuivas de resgates e ataques por parte do PCC nas cidades do Oeste Paulista, exatamente na divisa com Mato Grosso do Sul.


INVESTIGAÇÃO


As informações batem: um SUV da BMW, modelo X5, com placas de Santa Catarina escoltava uma carreta que transportava 940 quilos de cocaína (maior apreensão deste ano), flagrada pela Polícia Rodoviária Federal em 22 de janeiro último. A informação da época era de que a droga pertencia a um grande traficante de Ponta Porã, e a ocorrência foi encaminhada para a Polícia Federal.


Na tarde de segunda-feira (4), a PF encontrou em um apartamento de luxo de Balneário Camboriú (SC), o “Minotauro”, que - segundo apurado pelas polícias - teria se tornado o novo chefão do tráfico na fronteira seca com o Paraguai após a execução de Jorge Rafaat e a extradição de Jarvis Pavão daquele país para o Brasil. Ele teria envolvimento com o carregamento apreendido pela PRF. 


O caminho seguido a partir da prisão do dono da BMW, e da apreensão do carregamento de cocaína ajudaram as polícias. Minotauro teria deixado a fronteira depois que as polícias brasileira e paraguaia iniciaram ofensiva às quadrilhas que atuam na região. O carregamento apreendido no mês passado seria uma tentativa de tirar os 940 quilos de cocaína da zona de conflito, e garantir os quase R$ 30 milhões que a droga renderia no mercado internacional


ESCALADA DE VIOLÊNCIA


Conforme a Polícia Federal, Minotauro teria envolvimento nas recentes - e violentas - ações criminosas nas cidades de Ponta Porã, Pedro Juan Cabellero e outras cidades da fronteira. Depois que o suspeito de ser o chefão do tráfico passou a ser considerado o “capo” da região, verificou-se a escalada de execuções e outros atos violentos. 


Minotorauro, por exemplo, é suspeito de ter sido um dos responsáveis pelo assassinato de um policial civil de Mato Grosso do Sul em março de 2018, e de ter participação na execução de uma advogada em novembro último, do lado paraguaio da fronteira. 


A organização criminosa integrada por Minotauro ainda é suspeita de ser a responsável pelo ataque a uma casa em Ypehu, no Paraguai, cidade fronteiriça com Paranhos. 


MITOLOGIA


Os policiais apreenderam com o suspeito, em Balneário Camboriú, US$ 100 mil (aproximadamente R$ 367 mil) em espécie, celulares e um veículo BMW. Minotauro não ofereceu resistência à ação policial, denominada, Operação Teseu. O nome é oportuno, na mitologia, Teseu é o personagem que derrotou o Minotauro.

FONTE: Correiodoestado

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