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FÁBIO PERÓ

Milícia articula plano para matar delegado, diz Gaeco

"Desembargadores de merda", disse Jamil Name ao ser preso em operação

02/10/2019 13h36
Por: Zadir de Souza
Fonte: Correiodoestado
Delegado Fábio Peró (no meio) durante apreensão de armas na casa de guarda municipal envolvido com milícia - Foto: Bruno Henrique
Delegado Fábio Peró (no meio) durante apreensão de armas na casa de guarda municipal envolvido com milícia - Foto: Bruno Henrique

Uma agência de inteligência de Mato Grosso do Sul recebeu a informação de que os empresários e pecuaristas Jamil Name e Jamil Name Filho, presos da Operação Omertà e que estão custodiados no Centro de Triagem 2, estariam articulando um possível atentado contra o delegado titular do Grupo Armado de Repressão a Assaltos e Sequestros (Garras), Fábio Peró.

O fato é citado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em pedido para manter a prisão preventiva dos empresários, que estão desde sexta-feira (27) no presídio.

No documento o MPMS também cita que durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão e prisão dos empresários, Jamil teria dito, em tom ameaçador, que “o jogo só começa agora” e se despediu se sua esposa com um “até amanhã”. “Revelando a certeza de que seria solto em 24h. E fez isso para realçar o seu poder político e econômico aos presentes, com nítido viés intimidatório”, diz o documento.

Jamil Name também teria ofendido os desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). “Tratando-os como analfabetos e desembargadores de merda, ao ser cientificado da ordem de busca e apreensão em sua casa”, conforme diz o Ministério Público.

Datado de 1º de outubro deste ano (terça-feira) e endereçado a 7ª Vara Criminal de Competência Especial de Campo Grande, o documento é assinado pelos promotores do Gaeco Tiago Di Giulio Freire, Thalys Franklyn de Souza, Cristiane Mourão Leal Santos e Gerson Eduardo de Araujo, e pede que seja anexado aos autos do processo o relatório contendo informações sobre o cumprimento da ordem de busca e apreensão na residência de Jamil pai e filho.

“Tais documentos reforçam a necessidade da manutenção da prisão preventiva de ambos para a garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal”, diz trecho do pedido.

Jamil Name e Jamil Name Filho foram presos no bojo da Operação Omertà feita pelo Gaeco e Garras na sexta-feira. Além deles, quatro policiais civis, quatro guardas municipais, um policial federal, um militar do Exército, um caseiro de propriedade rural e também profissionais do Direito foram presos em Campo Grande e no interior do Estado, em operação que combate milícia armada especializada em crimes de pistolagem.

Os assassinatos de, pelo menos, três pessoas estão relacionados com o grupo de extermínio sob investigação: do policial militar reformado Ilson Martins Figueiredo, ocorrido em 11 de junho do ano passado; do ex-segurança Orlando da Silva Fernandes, em 26 de outubro de 2018; e do estudante de Direito Matheus Xavier, em abril deste ano.

Os crimes investigados pelos policiais do Garras e do Gaeco são de homicídio e corrupção ativa e passiva. Ao todo foram pedidos 13 mandados de prisão preventiva, 10 de prisão temporária e 21 mandados de busca e apreensão.

Dois integrantes do grupo estão foragidos, o ex-guarda municipal José Moreira Freires e o auxiliar Juanil Miranda Lima – apontados como os executores dos assassinatos investigados pela força-tarefa e foragidos desde abril, quando as investigações começaram a avançar –, além do advogado Alexandre Fransolozo, cujo mandado de prisão temporária (suspenso no domingo pelo Tribunal de Justiça) nem chegou a ser cumprido.

Na segunda-feira, Gaeco e Garras distribuíram cartazes pedindo informações dos foragidos. Até o fim da tarde de ontem, a recompensa oferecida era de pelo menos R$ 2 mil (valor que, segundo eles, poderia aumentar).

Para dar o nome à operação, os policiais utilizaram um termo do dialeto napolitano, do idioma italiano. Omertà, conforme o Gaeco, é um termo que se fundamenta em um forte sentido de família e em um silêncio que impede a cooperação com autoridades policiais ou judiciárias. Trata-se de um código de honra muito usado nas máfias do Sul da Itália.

ARSENAL

Em maio deste ano a polícia flagrou um arsenal em uma casa desabitada no Bairro Monte Líbano, onde estava o guarda municipal Marcelo Rios, 42 anos. No local, havia seis fuzis (dois AK-47 de calibre 762 e quatro de calibre 556), um revólver 357, 11 pistolas 9 milímetros, quatro pistolas .40, uma pistola de calibre 22 e outra pistola de calibre 380, além de duas espingardas, sendo uma de calibre 12 e outra de calibre 22. Ainda foram encontradas 1.753 munições, 392 para os fuzis AK-47. Se somado aos cartuchos apreendidos em outros endereços vinculados a Rios, o total de munições supera 2 mil unidades.

O guarda foi o primeiro envolvido no grupo de extermínio denunciado pelo Gaeco a ser preso. No local também foi encontrado um pen-drive com informações sobre um produtor rural da região de Bonito, o que levou a investigação a crer que ele seria um dos alvos do grupo.

 

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